Aline fernandez

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Belo Horizonte - Minas Gerais
EuP 218
usuário desde 04/13
idade 31
sexo Feminino
favorito de 21 pessoas

Sobre mim

Foram 12 anos até ser diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline, associado com Transtorno de Ansiedade. Ja fui tratada como Bipolar, Depressão, mas nada que fizessem por mim ou as medicações resolviam por completo. Sou Aline tenho 26 anos, casada há 6 e com uma filha de 5. Minha caminhada começa aos 13 anos quando tive um lapso de memória do qual não recordava minha infância até completar 15 anos e não me lembro até hoje da maioria das coisas que vivi. A partir dos 15 anos meus traumas de infância e pré-adolescência começaram a voltar como flashs na memória, as vezes me pegava acordada mas revivendo cada trauma passado, passei boa parte da minha adolescência trancada em meu quarto, a desorganização era total e meus pais brigavam por causa da bagunça, mas curiosamente sempre me senti bem dentro daquela bagunça no quarto. Meu pai sempre foi muito super-protetor, tinha 20 anos e nunca havia namorado em casa sequer, todos os relacionamentos sempre muito difíceis e escondido. Aos 19 anos comecei a me relacionar com um colega de infância, mal nos falávamos de início mas muito nos atraía, ele o único até então que conseguia me fazer esquecer um pouco o vazio intenso, ele era (e ainda é) Ateu, minha família evangélica, então sempre vinha o medo que nós não fossemos aceitos por minha família e separados definitivamente. Fomos levando o relacionamento escondido, ate que em Novembro de 2006 comecei a passar mal, fiz alguns exames e estava lá a surpresa, estava grávida e de uma coisa eu sabia, eu não queria abortar e queria muito ser mãe. Chegou o dia em que meu pai ficou sabendo que eu estava grávida de um ateu, e já da pra imaginar o grande choque que ele (meu pai) sofreu. Os dois homens da minha vida se olhavam como se um fosse matar o outro. Depois de muita conversa, muita discussão e muito atrito, chegaram os dois a um senso comum. No outro dia dessa conversa, acordei com muita dor no corpo, foi preciso minha mãe nesses momentos ao meu lado para que eu suportasse tudo aquilo. Estava sem chão e muito assustada. Bom, o André e eu nos casamos, no final das contas acabamos por ficarmos juntos, e aos poucos se aproximava o grande momento do nascimento de nossa filha, Ágatha. Havia ganho um homem em minha vida, mas aquele que me criou debaixo de suas asas havia se afastado, já não era mais o mesmo e em consequência, minhas atitudes para com ele também foram mudando. Minha gravidez trasncorreu com sucessivas crises nervosas, cheguei a tomar antidepressivos, com constantes sangramentos, ficava dois em repouso e melhorava, pouco tempo depois o pesadelo se iniciava novamente e assim foi até completar 8 meses, quando tive que ficar de repouso absoluto até a Ágatha nascer. Passei uma gravidez sem conseguir curtir minha criança que considero um milagre, por medo de perdê-la devido às crises. O dia do nascimento da Ágatha, sentí a dor do parto. Era uma dor física que se misturava com a dor emocional, chegava a ser insuportável fazendo com que os médicos induzissem o parto rompendo a bolsa para realizar logo o procedimento. Meu mundo, minha lucidez, minha realidade só veio a tona quando ouví o choro de minha filha pela primeira vez. Parto realizado, aliviada, missão cumprida. A primeira infância dela trancorreu um pouco turbulenta com várias internações pois tinha constantes ataques de asma. Por vezes, me via alí parada, incapaz, com medo de perder minha filha. Felizmente em todas internações e complicações, conseguimos sair com louvor. No casamento, sempre muito desconfiada sem motivos, as brigas eram constantes. Depois de um tempo comecei a trabalhar e tive meu primeiro surto, fui internada por 15 dias num hospital psiquiátrico, naquela época comecei algumas medicações, mas elas também de nada adiantavam. Vários remédios, vários diagnósticos, vários médicos, mesmas crises, mesma vida. Uma internação que me mostrou, posso assim dizer, um submundo do qual estava vivenciando pela primeira vez. Passou-se mais um ano e novamente tive outro surto do qual tomei medicação em excesso por conta própria na intenção de auto-extermínio. Olhei para a minha cama, vi minha filha deitada dormindo e logo me arrependí. Acordei meu marido, falei que havia tomado todo vidro de remédio e não me lembro de mais nada daquela noite. Sei que acordei em um hospital, no CTI, amarrada na cama com médicos e meu marido "em cima" de mim fazendo lavagem estomacal na intenção de desintoxicar meu organismo. Por 6 dias alí fiquei, também não me lembro muito do que fiz lá, apenas lembro que eu desenhava a caricatura dos enfermeiros e enfermeiras, até fiquei conhecida lá por causa disso e também lembro que quando eu estava amarrada nas mãos e pés tentava desfiar as faixas que me amarravam, não conseguiram me manter amarrada por muito tempo. Quando foi completamente desintoxicada, fui transferida de imediato para outro hospital psiquiátrico, minha outra visita ao sub-mundo. A única imagem que guardo deste hospital, é de minha filha não poder entrar para visitas, aonde apenas tinha um portãozinho onde dava para eu segurar suas maozinhas. Ela me olhava com olhar assustado, mas nem sequer podia abraça-la e acalma-la, apenas nos tocávamos as mãos. Neste portão conseguia também passar algumas coisinhas que eu fazia nas terapias ocupacionais que o hospital oferecia. Voltei chorando ao meu quarto e naquele momento, decidi que nunca mais iria fazer aquilo denovo, por mim e por ela. Não demorou muito e tive uma melhora significante. Recebí alta. Desde então fui atendida pelo Hospital das Clínicas, onde tive acesso a psiquiatra e psicólogo, onde fui finalmente diagnosticada e tratada com as medicações certas. Acordo matando um leão por dia, controlar as emoções e se concientizar que não são as pessoas a sua volta que tem que mudar e sim eu mesma não é fácil. Hoje luto dia após dia para aprender o auto-controle, amo meu marido porque ele procurou muitas informações a respeito do transtorno e hoje posso dizer que é um dos que mais me ajudam a superar minhas limitações, é meu apoiador. Minha mãe... Demorou muito pra que a gente se aproximasse e se entendesse, por coincidência ela também sente muitas coisas parecidas com as que sinto, mas também hoje consegue muitas vezes me acalmar. Meu pai ainda está diferente, mas eu entendo que o amor dele por mim apenas amadureceu e não diminuiu como eu achava antes. O que quero deixar pra cada um hoje é, não desistam, existe solução, comecei esta caminhada tomando mais de 6 remedios por dia, hoje tomo apenas um antidepressivo por dia e também estamos prestes a diminuir até parar completamente. A remissão existe, cabe a nós querermos melhorar, a capacidade esta dentro de nós. Hoje sou feliz, o vazio no peito é algo que não sai, mas eu aprendi a aceitar isso e a enxergar que apesar desse vazio constante, eu posso sim ser feliz, posso sim ser uma profissional de sucesso, posso estudar se eu quiser, posso mudar se eu quiser. Hoje as marcas nos meus braços, dos cortes que fiz e as cicatrizes emocionais, servem pra me mostrar o quanto fui capaz de vencer essas limitações, o quanto eu melhorei e posso melhorar mais ainda. Não me deixo abater por crises e procuro reconhecer as pessoas que estão ao meu lado me apoiando, ainda que não seja da forma que às vezes quero e/ou preciso, mas estão ao meu lado e nunca me abandonaram.
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